Gordura trans: melhor evitar

A gordura trans passou a ser utilizada pela indústria de alimentos para conservá-los saborosos, crocantes e apetitosos por mais tempo. Mas o ingrediente, que também ajuda a aumentar a vida útil dos produtos, é um perigo para o coração.

Desde 2003, a Anvisa obriga que todos os fabricantes de alimentos do país discriminem na tabela nutricional do rótulo de seus produtos, e de forma visível, a quantidade de gordura trans presente neles. Quanto menos, melhor: a organização mundial da saúde (OMS) recomenda que o consumo da substância não ultrapasse os 2g por dia (para uma dieta de 2000kcal). O que dá, mais ou menos, duas bolachas recheadas que não sejam livres desse nutriente.

Gordura trans faz um mal danado – mas nem sempre se soube disso.

O ingrediente já teve dias de maior popularidade. Ele foi incorporado pela indústria para dar mais consistência, sabor e durabilidade aos alimentos e é derivado de óleos vegetais, que passam por um processamento para se tornarem sólidos. Por isso, parecia se tratar de uma opção mais saudável, principalmente em comparação à gordura de origem animal. Mas pesquisas recentes mostraram exatamente o contrário.

Na verdade, o consumo excessivo da gordura trans pode aumentar as chances de derrame e doenças cardíacas, porque desregula o colesterol sanguíneo: ao mesmo tempo em que eleva o nível de LDL (o colesterol ruim), diminui o de HDL (o bom), favorecendo o acúmulo de placas nas artérias e veias.

Ingrediente foi totalmente banido em alguns países

O problema é que é difícil eliminar totalmente a gordura trans, a exemplo do que acontece em países como a Dinamarca e em alguns estados norteamericanos. Alguns produtos disponíveis em nossos supermercados, de fabricação nacional, como bolachas, sorvetes, chocolates, salgadinhos, margarinas, pipocas de microondas, bolos, pastéis, tortas - até mesmo alimentos light e diet - ainda são feitos com a trans. Apesar disso, já existem diversas opções para substituí-la, com o mesmo resultado e custo semelhante.

A boa notícia é que, mesmo assim, já existem produtos totalmente livres do componente, como Becel e AdeS, da Unilever. Para saber quais são eles, basta checar as embalagens. A informação pode vir, em destaque, na parte da frente, e sempre pode ser encontrada na parte de trás da embalagem, na tabela de informações nutricionais.

Conheça as diferenças entre as gorduras

Saturada: É a gordura essencialmente de origem animal, encontrada em carnes, leite e seus derivados. Aumenta o nível de LDL colesterol no sangue, favorecendo o entupimento dos vasos sanguíneos.

Insaturada: Pode ser monoinsaturada ou polinsaturada. Está presente nos óleos vegetais, nas castanhas e nos peixes de águas frias, como sardinha, salmão e truta. Em substituição à gordura saturada, ajudam a reduzir os níveis de LDL colesterol no sangue.

Trans: É produzida industrialmente, por meio de um processo chamado hidrogenação, usado para transformar um óleo líquido em gordura sólida. Também está presente em pequenas quantidades na carne e no leite de animais ruminantes (como a vaca). Pode aumentar os índices de LDL colesterol, ao mesmo tempo em que diminui os índices de HDL colesterol no sangue.