Diga sim ao sorvete no inverno
O verão costuma ser a época preferida para apreciar sorvete, mas é importante saber que, no frio, o seu picolé não vai ser o principal motivo da sua dor de garganta ou resfriado.
Diga sim ao sorvete no inverno
Seriam os estranhos desejos do imperador romano Nero, que mandava seus servos para as montanhas em busca de neve, mais tarde usada para congelar mel e frutas? Ou teria sido o explorador Marco Pólo que levou à Europa o costume chinês de misturar pasta de leite à neve?
As possibilidades para a origem do sorvete são muitas, mas poucas colocam em dúvida o sabor e a sensação refrescante que o produto proporciona. Por essas e outras, o gelado é um dos destaques do verão, mas uma série de perguntas e mitos fica no ar quando se pensa em tomar um sorvete durante o frio.
O sorvete, como qualquer outro alimento, deve ser consumido com certos cuidados. Mas, a verdade é que ele, realmente, não é o vilão causador de resfriados e outros problemas durante o inverno.
“É natural as pessoas associarem a dor de garganta ao sorvete, mas existe uma série de fatores que contribuem para a infecção do vírus e início do resfriado ou gripe (que se manifesta, inicialmente, como faringite ou dor de garganta)”, explica a otorrinolaringologista Francini Pádua, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORLCCF).
Quem disse que não pode?
Um dos mitos mais comuns sobre o consumo de sorvete no inverno é o da relação entre o gelado e a garganta. É normal haver confusão nesse sentido. Mas, afinal, o sorvete ajuda ou prejudica quando a garganta está inflamada.
A otorrinolaringologista explica que o sorvete, por si só, não é prejudicial. O que acontece é que ele ajuda na “mudança brusca de temperatura da faringe”, situação que, juntamente com outras questões, pode facilitar uma infecção.
“Geralmente, vários fatores contribuem ao mesmo tempo para a irritação da garganta, como, por exemplo, um dia frio: o indivíduo não está com o corpo aquecido, há mais vírus no ar, as pessoas ingerem produtos gelados e dois dias depois tem início uma dor de garganta”, explica Francini.
Mais do que não ser o principal fator prejudicial no frio, aquele picolé colorido ou aquelas bolas geladas com sabores exóticos podem até dar uma ajuda em alguns casos. “Se a pessoa tem uma amidalite, está com a garganta muito inflamada, alimentos frios vão gerar um conforto maior do que os quentes”, diz a especialista.
E aquele famoso copo de água que os pais insistem em dar para as crianças depois de um sorvete, realmente é necessário? Francini explica que, na verdade, quando ingerimos alimentos gelados, eles são aquecidos aos poucos, conforme viajam pelo trato digestivo. Mas, quando comemos muito rápido, não damos tempo para o aquecimento e temos aquela sensação de dor. “Assim, tomar sorvete devagar, acompanhado de uma água, pode ajudar a não gerar esse desconforto”, completa a médica.


